Operação Desdobramento flagra crimes ambientais e resgata quase 300 animais silvestres na região da Bacia do Paraguaçu

Durante as ações foram vistoriadas uma área com mais de 286 mil hectares e fiscalizadas propriedades rurais de exploração agrícola e pecuária com sistema de irrigação, observando-se captação de água, extração e beneficiamento mineral; supressão vegetal, transporte e guarda de produtos de fauna e flora, além do estado de preservação das Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal.

Coordenada pelo Ministério Público Estadual, por meio do Núcleo de Defesa do Rio Paraguaçu (NURP), a Operação denominada Desdobramento, foi realizada entre os dias 06 e 11 de outubro em diversos municípios da Bacia Hidrográfica do Paraguaçu.

Além da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a operação contou com o apoio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea/Ba), da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE/Ba), do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Bahia (CRMV/Ba) e da ONG ANIMALLIA.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) atua também no enfrentamento e combate a atividades criminosas que degradam o meio ambiente. Nesta operação, teve participação nas equipes Fauna, Mineração e Desmatamento. As equipes verificaram a situação atual de algumas áreas e pontos de tráfico e criação ilegal de animais silvestres que haviam sido fiscalizadas durante etapa da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do Paraguaçu realizada em 2018.

Entre os objetivos da operação Desdobramento destaca-se o combate aos crimes contra a fauna, coibindo a criação ilegal e o tráfico desses animais. Durante a operação as equipes estiveram nos municípios de Itaberaba, Milagres, Itatim, Iaçu, Ruy Barbosa, Itaeté, Boa Vista do Tupim, Marcionílio de Souza e Amargosa.

Durante as atividades foram resgatados 291 animais silvestres entre os quais mais de 150 jabutis e diversas aves de várias espécies, a exemplo de pássaros pretos, sabiás, coleiras, cardeais, baianos, marias-fitas, tico-ticos, e canários da terra. Muitas aves estavam acondicionadas em gaiolas sujas com fezes e sem água, demonstrando total falta de cuidado e maus tratos.

Os infratores foram identificados e responderão na Justiça Criminal pelos crimes ambientais previstos da legislação pertinente. Foram lavrados Termos Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e também foram promovidas ações de conscientização e educação ambiental.

Os animais foram encaminhados para uma base montada na cidade de Itaberaba onde receberam os cuidados dos biólogos da ONG Animallia e de veterinários. Aqueles que estavam em condições de retornar ao seu habitat natural foram destinados à soltura enquanto os que estavam mais debilitados seguiram para o CETAS do IBAMA, em Salvador.

O retorno ao habitat natural nem sempre é um processo rápido. Muitas vezes os animais precisam de maiores cuidados veterinários, pois são vítimas de maus tratos e apresentam lesões provenientes da captura ou estão bastante debilitados por conta da má alimentação no cativeiro. Além de tratar a saúde, os animais precisam muitas vezes reaprender algumas funções básicas como voar e buscar seu alimento na natureza.

A PRF atua na fiscalização ambiental do transporte de produtos e subprodutos florestais, da fauna, de agrotóxicos e de recursos minerais. Destacam-se no contexto do estado baiano, as ações relacionadas ao tráfico de animais silvestres tanto pelo fato da Bahia apresentar uma grande diversidade da fauna brasileira como pelo fato do estado ser a principal rota entre a região Sudeste e os demais estados do Nordeste.

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